Iknie, começou em 1997 com a feitura de uma primeira maqueta, numa pequena folha A4. O meu traço estava torto e inseguro, eu apenas sabia que queria criar uma nova criatura, um novo modelo gráfico, para o qual não tinha ainda sequer um nome. Apenas sabia que as cabecinhas dos bonequinhos seriam redondas, e que os seus pescoços não seriam desenhados. Essa primeira maqueta, esse primeiro Iknie, eu ofereci ao filho de uma amiga. Conservei apenas os outros seus irmãozinhos, alguns bastante engraçados, sobretudo quando comparados com os que faço agora, passados 9 anos.
Passei semanas a desenvolver aquelas ideias iniciais. Mais cabecinhas, mais variações, mais perninhas, bonequinhas com cabelos compridos, com maminhas, com saias. às dezenas e às centenas. A certa altura, comecei a apreciar esta técnica nascente, e, comecei a desenhar mais e mais. Começaram a surgir bonequinhos extra-terrestrezinhos, com antenas, com visores, sempre, sempre com apenas com uma madeixa de cabelo que lhes tapava os olhos. A minha ideia era bastante clara, eu estava a criar uma linguagem simbólica, altamente sintética.
Apenas alguns traços apareciam, apenas algumas evidências eram importantes. Fazer os olhos, captar os olhos, seria mexer com aspectos altamente psicológicos que têm a ver com o que se capta quando vemos como alguém olha, e com questões da natureza do brilho que os olhos têm, entre outros. A franja era um excelente elemento gráfico, para além de dar uma noção nova de tudo o que pode ser visto no lugar dos olhos. Voltaremos a falar disso mais à frente. O nome e a palavra Iknie, associada a "Terra de Sonhos e de Alegria", surgiu alguns meses depois de ter começado esta investigação que me levaria a imensas descobertas, e a uma primeira simbólica real, uma nova ferramenta global com milhares de novos anatogramas, características de jogo, e muitos outros. Uma nova linguagem gráfica assim como uma nova problemática artística que funciona em torno de alguns símbolos, e, se desenvolve como um código móvel, como a música, que não tem que significar necessariamente nada, à partida. Um novo e interminável alfabeto, para reinventar a comunicação, para explicar de uma outra forma a sinalética humana, e para dar também uma componente científica à arte, criando um sistema, que entre outros, os computadores podem ler, e, com o qual podem manejar facilmente, já que aqui, não encontram, nem sombras, nem perspectivas, nem entradas ou saídas de luz. Enfim, um novo código, muito perto de ser o genoma humano, na sua versão gráfica. Dizia eu, então, que a palavra Iknie serva vários propósitos ao mesmo tempo. Era simples, era amistosa, era um pouco estranha, tinha já também um lado artístico, e, permitia ser lida, compreendida por quase todos facilmente. Iknie, a palavra, simbolizava também a necessidade ter termos um novo código global, uma ponte por cima de tudo, entre todas as sociedades, e todos os grupos que coabitam neste nosso planeta azul, de uma azul um pouco cinzento e poluído, mas azul. A importância de um código gráfico, de uma simbólica é apenas enorme. Quando falo com pessoas acerca deste novo instrumento, tento por vezes dar apenas algumas pistas, e deixá-las depois reflectir, acerca de todas as vantagens de termos um código maior, baseado nos nossos corpos, na nossa simbólica, e, também, portanto, nos nossos comportamentos, na nossa moral, ou de uma nova moral que vamos ter que construir inevitavelmente. Este alfabeto que invento diariamente, e que todos podemos inventar, com o qual todos podemos manejar, dá-nos uma consciência diferente acerca de nós próprios, acerca das nossas qualidades, acerca das nossas potencialidades e acerca dos nossos corpos, vistos aqui como um código que não termina, e que, assim, nos faz não terminar também… |
Iknies 2008
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